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Mensagens

Alexandre e o Finley

O Alexandre era o gajo que me vendia mel de toda a parte menos de São Francisco. A última vez que nos encontrámos, entre o fumo atordoante e reconciliador, disse-lhe "Men, curto-te bué, men...". "Zorze, tu é que és grande, maluco!". Depois desse dia, em que nos encontrámos tardiamente na street (foda-se, street soa sempre bem), nunca mais o vi. Sumiu-se; julgo que se evaporou para o Hawai. Ainda hoje penso que morreu na tubagem. Tudo isto para dizer que ouvi este senhor hoje e era um gosto musical que eu e o Alexandre partilhávamos a 100%. O resto não! Comprava-lhe a 20 euros a língua!



"Olha Zorze: pássaros-cometas a caminho do Hawai"

À música dos amigos

Quando uma pequena cria de uma rata (ratazana) é retirada junto da mãe, os seus níveis de stress disparam. Quando, por exemplo, estamos a conversar com alguém que achamos muito simpático(a), tendemos a imitar cada gesto que faz - até quase ao ponto de sacarmos um gnu do nariz. Quando temos algo melhor que o mediano queremos mostrar. É científico. Há estudos e está comprovado. E eu como sou mais um mero e vulgar animal (só disse isto para parecer modesto), vou-me incluir em todas estas teses: vou abrir a janela do meu Pininfarina e fazer ouvir esta música para o mundo, mas especialmente para o meu mui querido amigo Diaz, agradecendo-lhe o soberbo arroz de ameijoas e a campanhia sempre inspiradora e musical. Mas não só a ele; a todos de quem gosto. À música dos amigos.

Música. Mas música a sério: AQUI

Ensaio sobre o "Aié?"

- Aié? - É! - É mesmo? - É, caralho: já te disse? - Ah, que giro... - Ah pois é mesmo! - Aié? - É! - É mesmo? - É, caralho: já te disse? - Ah, que giro... - Ah pois é mesmo! - Aié? ...



- Vanessa, tu vas tombé et raché les cornes!
- Aié?

O cheiro do suburbano

Cabixbaixo suburbano e o saco do Lidl na mão. O comboio carrega mais umas toneladas de carne sonâmbula. Há que preparar o jantar. Subo as escadas duas a duas e ponho-me a adivinhar, piso a piso, o que preparam os vizinhos para.... bem, foda-se, falando em vizinhos e já me estou a cagar para o texto que ia escrever: não é que convoquei, enquanto administrador, uma reunião de condónimos, e os filhos da puta não apareceram?



Infelizmente, não posso dizer que o relacionamento que tenho com os meus vizinhos seja JOY'a...

O moço das telas e dos pvc's

O moço das telas e dos pvc's, no meio dos seus arrumos, confessou-me ser filho precoce de pais separados e de só ver a mãe 30 minutos por dia há mais de 15 anos. Vinte e um de idade disse-me ter de vida no organismo e pouco mais de seis em companhia familiar. "E não tens irmãos?", perguntei numa tentativa de simplificar a amargura. "Ya, uma irmã mais velha que não me suporta e que nunca fez comida a mais para partilhar". Ganhou maturidade. "Isso é bom? Não devias ter-te vivido criança e adolescente?" Pelos vistos, devia, mas não se ressente. "Por agora, não. Espera até aos 30 para te cair em catadupa as privações, frustrações e distanciamentos próprios do 'deixa andar'". O moço das telas e dos pvc's, no meio dos seus arrumos, tem cabelos brancos, um rosto sereno, bonito e fuma um cigarro lá fora: comigo como companhia. Pensei estes meses todos que era antipático. Erradamente.

Bronx Idols

Jury - Hey motherfucker, what are you going to sing?
Contestant - Well, I love french music, so I have chosen Cosdibabibúde?
Jury - What the fuck?! Are you a fucken fag?! Eat my brownie shit, stupid!!! Ok, sing...
Contestant - Je gongefe et je ton biscu, je touréi le pá, Cosdibadibúde...
Jury - Motherfucker, it's "Je me leve et je te bouscule, tu ne te reveilles pas, comme d'habitude"!!! Fucken asshole, don't fuck around with Claude François masterpiece!!!


Claude François, o rei todo-poderoso da "Chanson Française", uma espécie de "Nacional Cançonetismo" ou mesmo "MPB". Este "Comme d'habitude" é somente o original que resultou no "My Way", celebrizado por Frank Sinatra.

AQUI

Cop Land

Ê e mê (Euchrid de Cave não diria melhor) amigo R., partilhando o último cigarro do maço comprado a meias na véspera, fomos surpreendidos na rua, sob o já tardio crepúsculo vespertino, por dois senhores. Chegaram a toda a velocidade num Fiesta a cair de podre, bateram as portas do mesmo e um deles interrogou forte e feio: “MEUS SENHORES, têm alguma coisa que os comprometa?” Pensei que não teria que responder àqueles cabrões, mas atendendo ao tamanho dos mesmos, lá disse “Não!”. Mostraram os crachás da bófia para ficarmos mais tranquilos, só que aquilo mais parecia PVC de 3mm. Pediram para esvaziar os bolsos; então tirei 30 cêntimos do bolso direito e o meu iPod do esquerdo. Pensei: estou fodido! Vou ser assaltado por dois mânfios armados em cagões. Construí de seguida, no meu imaginário florido por white widows, situações más, mas bem melhores do que aquela que estava a vivenciar. A saber (adoro esta expressão, assim como o quiçá ou o inclusive), ser sodomizado por um pónei shetland o…