muitos me dizem, "conheço-te de algum lado": do meu lado racional, a milhares de quilómetros do coração, inimigos de sangue, talvez por ser muito pouco pragmático - homem, vá lá -, sempre a mesma resposta: "ando sempre em muito lugares diferentes". talvez ande, não sei; sem querer atropelar-me em raciocínios desinquietantes, aceito ser um gajo popular, do cinema, da escrita, da arte em geral; na verdade, sem o ser, talvez me dê ao mundo com uma cara e postura de gajo porreiro. a verdade é que, por vezes, quedo-me a perder o jeito; sou o que sou de improviso e de querer viver para descomprimir, com uma cerveja ou um moscatel numa mão e com um bom mel na outra; a amar a doçura e a manha entrelaçada das mulheres ou os amigos de olhos emparelhados - esses, sim(!), imperiosos! penso, sem o querer propriamente que, após a minha morte, o meu funeral será digno; com a presença de todas as pessoas que amei e desamei, contudo, ainda amando-as, sem saber, porém, se estas me a…