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a-vida-em-son(h)o.

(...) a vida no reboliço dos ponteiros. no mastigar do chão, no vaivém de acertos, de correctores, do que se deixa lá albergar. fechar mão de (...); abrir outra: perder para não guardar. abrir mão de (...); fechar outra: guardar para não perder. lógica de cálculo. cômputo mecanográfico orgânico. partículas de(o) nada. sonhos. realidades paralelas. desdobramentos astrais. a vida mais longe, mais profunda, mais pueril em dor. analgésicos. calmantes. cosmos ou um simples sofá-cama. dormir, por fim, adormecer. o son(h)o da vida. a vida em son(h)o.

"fechar mão de (...); abrir outra: perder para não guardar. abrir mão de (...); fechar outra: guardar para não perder"


O torniquete.

Se tomasse um batido de comprimidos agora antes do jantar, sei que virias em meu auxílio por breves momentos. Depois, desceríamos a rua para tomar café no Chico e comprava-te um bolo de chocolate para te adoçar de vez. Se a minha doença fosse maior, talvez crónica, tu estarias ao meu lado a adormecer-me do destino. Só que te fartarias novamente de mim: sei que sim! E se, lembro-me agora (!), escrevesse um livro ou pisasse um palco maior, tu dar-me-ias os teus olhos “atacâmicos” outra vez? Por agora, na tua corrida louca pelo dia pelo dia, deixando-me sempre a longos metros do torniquete, gritas-me do outro lado com a tua doçura megafónica: “Zorze, tens estado a tratar das frieiras e de ti?”

"Se a minha doença fosse maior, talvez crónica, tu estarias ao meu lado a adormecer-me do destino"

O preciosismo do amor.

O preciosismo. Cirurgia de afectos. Veias, articulações e o nervo ciático esmagado a formigar-me os pés voadores. Pequenas incisões de amor, largos derrames de perda. Rios de sangue-sangue lacrimoso. O esmagador desejo de ter crónica a tua presença. Coses-me contigo lá dentro. Nas entranhas, no fundo do que não volta a nascer. O amor numa lógica orgânica e descontrolada.

"Pequenas incisões de amor, largos derrames de perda"

a minha morte nas tuas articulações.

A viagem ficou pelo embate na autoestrada. A chapa contraída nas nossas armações intraderme, numa despedida abrupta a dois. Inconscientes no delírio da raiva e do desespero, segue-se um último adeus afectuoso numa majestosa gare de destinos. Mesmo morrendo assim nas tuas articulações, no teu coração que um dia me albergou, ver-te-ei com a tua mochila bonita e rosa nas costas. A entrares no comboio e a dizeres apenas: "... agora tenho de seguir viagem, Zorze".
"(...) um último olhar de adeus afectuoso numa majestosa gare de destinos"

O "não-saber-sabendo-se".

O não-saber-sabendo-se é saber-se. Porque vejo tanto saber sem se saber que me dou a olhar para um enorme circo. As vítimas, nós, por não sabermos que, afinal, o não-saber-sabendo-se é saber-se. E embora ninguém o saiba de verdade, alguns de nós - poucos -, sabem... pelo menos, o suficiente.

"(...) alguns de nós - poucos -, sabem...)

Olha, vi um pássaro gigante e colorido no céu...

Dualidade fodida de vontades, entre a despedida tranquila e a apoteótica-'armagedónica'. Sinto-me o craque do balão que já tem poucas pernas para ser o mesmo box-to-box, mas por outro lado, além da vontade de beijar em jeito de despedida a grama, o desejo de ser director desportivo de uma maturidade conseguida abruptamente, ao sabor da vontade, do romantismo e da fé. Consegui ser tanto "eu" que agora sinto cumprido o dever e o meu propósito por cá, seja o que isto for. Exijo apenas o seres "tu" e o seres "vós" como nunca. E como nunca, sinto-me mais só. Comigo mesmo, numa relação de reinicialização e de amor fragmentado. "Deixa estar que eu apanho do chão, meu querido", digo a mim mesmo com a mesma dose de carinho de sempre, de desilusão, todavia de esperança. Vou conseguir juntamente comigo. E se não o conseguir - se ficar pelo caminho... -, ficarei convosco no coração onde quer que me desfaça.

"Consegui ser tanto "e…

Eu. dEUS.

muitos me dizem, "conheço-te de algum lado": do meu lado racional, a milhares de quilómetros do coração, inimigos de sangue, talvez por ser muito pouco pragmático - homem, vá lá -, sempre a mesma resposta: "ando sempre em muito lugares diferentes". talvez ande, não sei; sem querer atropelar-me em raciocínios desinquietantes, aceito ser um gajo popular, do cinema, da escrita, da arte em geral; na verdade, sem o ser, talvez me dê ao mundo com uma cara e postura de gajo porreiro. a verdade é que, por vezes, quedo-me a perder o jeito; sou o que sou de improviso e de querer viver para descomprimir, com uma cerveja ou um moscatel numa mão e com um bom mel na outra; a amar a doçura e a manha entrelaçada das mulheres ou os amigos de olhos emparelhados - esses, sim(!), imperiosos! penso, sem o querer propriamente que, após a minha morte, o meu funeral será digno; com a presença de todas as pessoas que amei e desamei, contudo, ainda amando-as, sem saber, porém, se estas me a…