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Mensagens

Homem-Cão.

Pobre dos cães que cheiram os resquícios perfumados oriundos da cozinha do prodigioso cozinheiro. Cá dentro, o Relvas. Teve equivalência a 32 disciplinas. Da minha mesa vejo um (fantoche) director da universidade a defender o miserável traste: “blá blá blá” mais a p$ta que o pariu. Passou na televisão – uau! Mandei f$der a perversidade destes cabr&es todos. Cá fora, os cães. Na ânsia-inocente de mãos carinhosas no pelo rafeiro. Reconforto no animal pelo homem. Reconforto no homem pelo animal. O vinho em meia dose antes do litro. O homem que deveria ser antes do que depois do animal. Evoluímos demasiado... O nosso lugar comprometido nestes provincianos meneios pensantes. Seríamos dignos enquanto cães. Antes de “relvas” e afins verdejantes envenenados. Não há pachorra senão para eles cá fora: os cães. Bichos verticais. Erguidos. Magistrais. Absolutos. Não em linhas tortas, sem a sonoridade perversa-abafada-camuflada, mas estrepitante da m%rda em que muitos de nós se tornaram. A ti,…

O ser fonético.

Nhó nhó. Crim crim. Blum blum. Ah, ah. Exercícios fonéticos. Éticos, éticos. Split, split. Ah, foda-se, estou à rasca para ir dar uma mijinha… Esta cena pseudo-qualquer-coisa já continuamos daqui a pouco. Agora tenho de descarregar este meu eu interior para o meu eu exterior… Nhó nhó. Crim crim. Blum blum. Ah, ah. Exercícios fonéticos. Éticos, éticos. Split, split. Ah, foda-se, quem é apagou a luz, ó caralho?!

"Éticos, éticos. Split, split."

Sou uma cãibra.

Sou uma cãibra. Que espreita intraderme, inchando e que magoa. Peço pressão para aliviar. Alguém que tenda a sufocar-me junto dos músculos e da lógica. Sou um chato. Que não se alinha, resmungando e que incomoda. Não peço nada. Alguém que queira apaziguar-se junto da estupidez alheia. Sou um morto-vivo. Que aceita a morte, mandando tudo para o caralho. Peço inteligência. Alguém que já não se incomode com a fraca elasticidade mental dos bichos. Sou uma bandeira. Que se inunda em cores, negando qualquer preconceito. Não peço muito. Alguém que se sente à minha frente, invocando humildade forçada.
"A minha única esperança é finar-me alcoolizado e cheio de amor por todos"

O Salvador (do nada).

Os cavalos lindos relincham: “Isso cavalinho do pai, relincha como um rouxinol. Relincha à vontade aqui para o Salvador porque tens ganas de dançarino na tua raça andante. A propósito, alguém viu aí o meu iPhone a relinchar, também?” Gargalhada generalizada. A saber: o Salvador é a alegria do clube! “E no domingo sempre vamos ver o nosso grande Belenenses?”. “Sim(!)”, grita em uníssono os amigos e familiares num orgulho estridente. Uma vez mais, a sublinhar, o Salvador tem qualquer coisa muito especial. Ai, sei lá, um talento de ser quem é. Bem-haja, Salvador. 
"Quanto mais nobre é o génio, menos nobre é o destino. Um pequeno génio ganha fama, um grande génio ganha descrédito."
(Fernando Pessoa) 

a-vida-em-son(h)o.

(...) a vida no reboliço dos ponteiros. no mastigar do chão, no vaivém de acertos, de correctores, do que se deixa lá albergar. fechar mão de (...); abrir outra: perder para não guardar. abrir mão de (...); fechar outra: guardar para não perder. lógica de cálculo. cômputo mecanográfico orgânico. partículas de(o) nada. sonhos. realidades paralelas. desdobramentos astrais. a vida mais longe, mais profunda, mais pueril em dor. analgésicos. calmantes. cosmos ou um simples sofá-cama. dormir, por fim, adormecer. o son(h)o da vida. a vida em son(h)o.

"fechar mão de (...); abrir outra: perder para não guardar. abrir mão de (...); fechar outra: guardar para não perder"


O torniquete.

Se tomasse um batido de comprimidos agora antes do jantar, sei que virias em meu auxílio por breves momentos. Depois, desceríamos a rua para tomar café no Chico e comprava-te um bolo de chocolate para te adoçar de vez. Se a minha doença fosse maior, talvez crónica, tu estarias ao meu lado a adormecer-me do destino. Só que te fartarias novamente de mim: sei que sim! E se, lembro-me agora (!), escrevesse um livro ou pisasse um palco maior, tu dar-me-ias os teus olhos “atacâmicos” outra vez? Por agora, na tua corrida louca pelo dia pelo dia, deixando-me sempre a longos metros do torniquete, gritas-me do outro lado com a tua doçura megafónica: “Zorze, tens estado a tratar das frieiras e de ti?”

"Se a minha doença fosse maior, talvez crónica, tu estarias ao meu lado a adormecer-me do destino"

O preciosismo do amor.

O preciosismo. Cirurgia de afectos. Veias, articulações e o nervo ciático esmagado a formigar-me os pés voadores. Pequenas incisões de amor, largos derrames de perda. Rios de sangue-sangue lacrimoso. O esmagador desejo de ter crónica a tua presença. Coses-me contigo lá dentro. Nas entranhas, no fundo do que não volta a nascer. O amor numa lógica orgânica e descontrolada.

"Pequenas incisões de amor, largos derrames de perda"