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Ensaio sobre um cantor com demência degenerativa e alguma fonética dadaísta pueril, mas preocupante.

Queria aproveitar este momento para dedicar esta canção a todos aqueles que... hmmm, esperem, peço-vos desculpa. Não consigo cantar agora. Quero ir ali aos subúrbios da cró té jui toi pio ter chá ir só jui oi oi oi ti lim lim...

Gaguez emotiva.

Sr. Crescêncio: Ganhei o Euromilhões. Estou mi, mi, mi, mi, mi...
Funcionário: ... lionário!
Sr. Crescêncio: Mi, mi, mi, mi, mi, mi...
Funcionário: ... lionário!
Sr. Crescêncio: Mi, mi, mi, mi, mi, mi...
Funcionário: ... lionário, meu caro amigo!
  "Mi, mi, mi, mi, mi, mi..."
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Você anda desparecido - OU - Ensaio e variações com "Você".

Versão 1: - Ele anda desaparecido. - Quem? - O Você!
Versão 2: - Eu? - Não, o Você!
Versão 3: - Você anda desaparecido! - Não, porque acabei de me encontrar com o Você!
Versão 4: - Você anda desaparecido! - Por que diz isso? Tenho estado por cá.

"Você, Você, seu maroto! Com que então, anda desparecido?"

Homem-Cão.

Pobre dos cães que cheiram os resquícios perfumados oriundos da cozinha do prodigioso cozinheiro. Cá dentro, o Relvas. Teve equivalência a 32 disciplinas. Da minha mesa vejo um (fantoche) director da universidade a defender o miserável traste: “blá blá blá” mais a p$ta que o pariu. Passou na televisão – uau! Mandei f$der a perversidade destes cabr&es todos. Cá fora, os cães. Na ânsia-inocente de mãos carinhosas no pelo rafeiro. Reconforto no animal pelo homem. Reconforto no homem pelo animal. O vinho em meia dose antes do litro. O homem que deveria ser antes do que depois do animal. Evoluímos demasiado... O nosso lugar comprometido nestes provincianos meneios pensantes. Seríamos dignos enquanto cães. Antes de “relvas” e afins verdejantes envenenados. Não há pachorra senão para eles cá fora: os cães. Bichos verticais. Erguidos. Magistrais. Absolutos. Não em linhas tortas, sem a sonoridade perversa-abafada-camuflada, mas estrepitante da m%rda em que muitos de nós se tornaram. A ti,…

O ser fonético.

Nhó nhó. Crim crim. Blum blum. Ah, ah. Exercícios fonéticos. Éticos, éticos. Split, split. Ah, foda-se, estou à rasca para ir dar uma mijinha… Esta cena pseudo-qualquer-coisa já continuamos daqui a pouco. Agora tenho de descarregar este meu eu interior para o meu eu exterior… Nhó nhó. Crim crim. Blum blum. Ah, ah. Exercícios fonéticos. Éticos, éticos. Split, split. Ah, foda-se, quem é apagou a luz, ó caralho?!

"Éticos, éticos. Split, split."

Sou uma cãibra.

Sou uma cãibra. Que espreita intraderme, inchando e que magoa. Peço pressão para aliviar. Alguém que tenda a sufocar-me junto dos músculos e da lógica. Sou um chato. Que não se alinha, resmungando e que incomoda. Não peço nada. Alguém que queira apaziguar-se junto da estupidez alheia. Sou um morto-vivo. Que aceita a morte, mandando tudo para o caralho. Peço inteligência. Alguém que já não se incomode com a fraca elasticidade mental dos bichos. Sou uma bandeira. Que se inunda em cores, negando qualquer preconceito. Não peço muito. Alguém que se sente à minha frente, invocando humildade forçada.
"A minha única esperança é finar-me alcoolizado e cheio de amor por todos"

O Salvador (do nada).

Os cavalos lindos relincham: “Isso cavalinho do pai, relincha como um rouxinol. Relincha à vontade aqui para o Salvador porque tens ganas de dançarino na tua raça andante. A propósito, alguém viu aí o meu iPhone a relinchar, também?” Gargalhada generalizada. A saber: o Salvador é a alegria do clube! “E no domingo sempre vamos ver o nosso grande Belenenses?”. “Sim(!)”, grita em uníssono os amigos e familiares num orgulho estridente. Uma vez mais, a sublinhar, o Salvador tem qualquer coisa muito especial. Ai, sei lá, um talento de ser quem é. Bem-haja, Salvador. 
"Quanto mais nobre é o génio, menos nobre é o destino. Um pequeno génio ganha fama, um grande génio ganha descrédito."
(Fernando Pessoa)