Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens de Novembro, 2011

a minha morte nas tuas articulações.

A viagem ficou pelo embate na autoestrada. A chapa contraída nas nossas armações intraderme, numa despedida abrupta a dois. Inconscientes no delírio da raiva e do desespero, segue-se um último adeus afectuoso numa majestosa gare de destinos. Mesmo morrendo assim nas tuas articulações, no teu coração que um dia me albergou, ver-te-ei com a tua mochila bonita e rosa nas costas. A entrares no comboio e a dizeres apenas: "... agora tenho de seguir viagem, Zorze".
"(...) um último olhar de adeus afectuoso numa majestosa gare de destinos"

O "não-saber-sabendo-se".

O não-saber-sabendo-se é saber-se. Porque vejo tanto saber sem se saber que me dou a olhar para um enorme circo. As vítimas, nós, por não sabermos que, afinal, o não-saber-sabendo-se é saber-se. E embora ninguém o saiba de verdade, alguns de nós - poucos -, sabem... pelo menos, o suficiente.

"(...) alguns de nós - poucos -, sabem...)

Olha, vi um pássaro gigante e colorido no céu...

Dualidade fodida de vontades, entre a despedida tranquila e a apoteótica-'armagedónica'. Sinto-me o craque do balão que já tem poucas pernas para ser o mesmo box-to-box, mas por outro lado, além da vontade de beijar em jeito de despedida a grama, o desejo de ser director desportivo de uma maturidade conseguida abruptamente, ao sabor da vontade, do romantismo e da fé. Consegui ser tanto "eu" que agora sinto cumprido o dever e o meu propósito por cá, seja o que isto for. Exijo apenas o seres "tu" e o seres "vós" como nunca. E como nunca, sinto-me mais só. Comigo mesmo, numa relação de reinicialização e de amor fragmentado. "Deixa estar que eu apanho do chão, meu querido", digo a mim mesmo com a mesma dose de carinho de sempre, de desilusão, todavia de esperança. Vou conseguir juntamente comigo. E se não o conseguir - se ficar pelo caminho... -, ficarei convosco no coração onde quer que me desfaça.

"Consegui ser tanto "e…

Eu. dEUS.

muitos me dizem, "conheço-te de algum lado": do meu lado racional, a milhares de quilómetros do coração, inimigos de sangue, talvez por ser muito pouco pragmático - homem, vá lá -, sempre a mesma resposta: "ando sempre em muito lugares diferentes". talvez ande, não sei; sem querer atropelar-me em raciocínios desinquietantes, aceito ser um gajo popular, do cinema, da escrita, da arte em geral; na verdade, sem o ser, talvez me dê ao mundo com uma cara e postura de gajo porreiro. a verdade é que, por vezes, quedo-me a perder o jeito; sou o que sou de improviso e de querer viver para descomprimir, com uma cerveja ou um moscatel numa mão e com um bom mel na outra; a amar a doçura e a manha entrelaçada das mulheres ou os amigos de olhos emparelhados - esses, sim(!), imperiosos! penso, sem o querer propriamente que, após a minha morte, o meu funeral será digno; com a presença de todas as pessoas que amei e desamei, contudo, ainda amando-as, sem saber, porém, se estas me a…

Hipotermia pensante.

A propósito das confidências do realizador de ontem presente na projecção do filme, exponho os devaneios lírico-artísticos do senhor em interrogação: "(1) Estive em Hong Kong", "(2) Cheguei a estudar em Nova Iorque", "(3) Este filme não é linear", "(4) Não me interessa se as pessoas não o entendam". Dos sorrisos ou do corpo curvilíneo trabalhado, a rima da solidão. Da franca actividade cerebral ou das prosas abduzidas com Ctrl+C, a carcaça dura. Bichos acossados: frágeis, quebradiços. Ridículo, sim(!), o pedantismo. Ridícula a insegurança. Ridículas as certezas. Ridícula a inveja. Ridículas as entrelinhas. Ridícula a maldade. Enfim, o coração gangrenado e em hipotermia sentimental. Solidão. Incompreensão. Vazio. Desistência. Insistência. Manhãs de regresso. Noites de amor. A propósito das confidências do realizador de ontem presente na projecção do filme, continuo a não compactuar com nanismos intelectuais.

"Ridícula a maldade. Enfim, o cora…

O desgaste.

Acredito pouco no regresso aos lugares onde fomos felizes. O pior dos desgastes é desgastarmo-nos a tentar não desgastar o que naturalmente se desgasta. É como ler ou ouvir alguém até que as suas ideias se desgastem e comecemos então a alimentarmo-nos de resquícios técnicos próprios de autores que já não conseguem foder com sentimento. Daquelas fodas onde o cheiro fode com o desejo e a nossa pele com o desejo de foder outra vez.

"Acho que um gajo só fode bem e com amor quando ainda não caiu no desgaste de ter perdido o talento para uma forma técnica de (sub)viver"
"(...) tenho saudades tuas, da tua estupidez e do teu encanto; uma fusão agridoce estonteante e ao mesmo tempo linear..."