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Mensagens

A mostrar mensagens de Outubro, 2007

lá-para-aqueles-lados-de-um-dos-dias-em-que-nasci

Quando eu nasci, três cães rafeiros expulsavam as carraças na porta da maternidade e um senhor de bigode comprido não conseguia digerir a morte do enteado num banco desamparado de jardim. Uma enfermeira tinha-se esquecido do almoço e combinava as horas de repasto carnal com o condutor da ambulância. Duas más-línguas torciam o sentido da amizade daqueles errantes. "Foi no quarto 23 onde foram apanhados", dizia a mulher estupidamente idosa. Quarto ao lado do meu, onde uma bebé prematura nascia para uma mãe só. O pai, errante também, tinha encontrado o seu destino lá-para-aqueles-lados-de-um-dos-dias em que a minhã mãe levava as duas mãos ao ventre pela primeira vez e me acariciava com a sua supremacia maternal. Era eu. Fui eu. Sou eu. Eu. Assim?

Os "The" que fogem à regra: The Tears!

Para os fãs dos extintos Suede, entre os quais me incluo, uma eventual reconciliação entre Brett Anderson e Bernard Butler (uma dupla muito ao jeito de Morrissey/Marr) parecia impossível. Isto, claro, depois do último se ter retirado no apogeu da carreira da banda londrina, aquando do lançamento do inesquecível álbum, "Dog Man Star". Falou-se na incompatibilidade de feitios e de uma relação íntima entre os dois, mas certo é que os Suede, na era pós-Butler, só conseguiram mais um apontamento grandioso: o Coming Up (quanto a mim, um dos melhores trabalhos ao nível da pop/rock britânica). E, sim, para meu regozijo, dá-se, em 2005, a união Andreson/Butler para a formação de The Tears. Deixo-vos o single…

Ensaio sobre um desistente suburbano que só se deixa esperar com a canadiana vestida.

Puxo o cobertor de malha para acolher as pernas. A casa é fria e o aquecedor já nem sequer funciona. Penso, então e obsessivamente, sobre o momento em que terei paciência para pintar estas paredes que me apertam com maus intuitos. Enquanto a solução se esconde vezes sem conta na inacção da minha mente perturbada, continuo a largar da boca os frios bafos sucessivos e das mãos as migalhas de uma sandes de queijo preparada com franca negligência. Estou deitado há três horas e mais uns quantos minutos insignificantes. Totalmente imóvel e com os olhos presos no tecto. Vim da catacumba metropolitana, aliás, como faço todos os dias e de pé. Deixo que todos se adiantem aos lugares disponíveis. Não esboço, sequer, um esforço. Sentem-se, já tanto tudo me faz. Fecham-se as portas e abro a da minha casa suburbana, velha e de cores toscas, tão apagadas quanto a vontade de me colorir. Deixo o cachecol e a canadiana vestidos para que o meu corpo não arrefeça com o preto da humidade entranhada em cad…

Contra-argumentação - Tomo I

Madre Teresa de Calcutá: a beatificação do amor-próprio?

Se todo o amor é amor-próprio, como é que Friedrich Nietzsche explicaria a existência de uma mulher como Agnes Gonxha Bojaxhiu? Sempre me soou perversa esta teoria, se bem que a entendo muito bem hoje. Quanto maior for a quantidade de amor "oferecido" às pessoas que nos rodeiam, maior é a nossa falta de auto-estima e assim se explica a necessidade de retorno de afectos para solucionar a carência de amor-próprio.

Lúcifer, levaram-nos a máquina!

- Mas qual máquina?
- A máquina à qual estavam ligadas a memória e a saudade desta gente.

"Uzólhos".

Os teus olhos são os meus, mas não recomendo veres o mundo tal e qual o vejo. Dos olhos de ver também surge a vontade de olhar e de querer. Espero então que saibas olhar melhor. Melhor do que ver o admiravelmente belo com cores esbatidas. E quanto às cores, as tuas, espero-as bem mais vivas do que as minhas. Iluminantes no mínimo.

Taxi Driver - OU - "Isto é um putedo!"

Dica 38479 - Se vires um indiano e um taxista, foge do taxista!

Acabo de entrar no taxi, isto após um tardio compromisso laboral, e ouço imediatamente do ás do volante com sessenta anos de universidade de vida no pêlo: "Conheci uma cabo-verdiana de 22 anos num autocarro. Percebi o que ela que queria. Disse que tratava dela. Paguei-lhe o telemóvel e fodi a gaja. Sim fodi a gaja e digo-lhe: aquilo era uma máquina de foder, aquela puta! Mas hoje em dia, isto é tudo um putedo que anda aí. É coisas do tempo. As mulheres já têm telemóvel e fazem tudo o que querem. Vamos lá ver, isto tem uma justificação. O putedo quer andar bem vestido e ter os luxos todos e mete-se debaixo dos patrões. Para essas cabras do caralho é igual foder mais umas quantas vezes por fora. É, amigo, as mulheres são todas umas putas!" Sim (!), confesso, pensei ter descoberto, in loco (ou, in louco de los cornios!), o temível e abominável Joaquim, o Estripador.

Eu não sei mais do que um miúdo de dez anos...

... contudo, sei o fumo de tudo o que pode provir de uma mortalha, como se fecha uma mão cheia de concertos especiais ou se olha os cenários dos actores da vida em grande tela. Sei o quão generosos são os songwriters quando nos torcem o coração como um pano de cozinha enxaguado, a magnitude de gerar uma vida e como continuar a amar em abundância sem troca de galhardetes na grama seca. Quanto à raiz quadrada de quatro será dois? Acho que sim, mas não tenho a certeza...

Profecias de efeito transgénico.

Entende-te como uma ordinária (adj., habitual…) massa orgânica igual à minha. Sabermos romantizar o que nos pesa, meu caro(a), é meio passo para nos sentirmos especiais além-derme. Como tal, percebe que a minha inteligência é a tua inteligência. O que eu vejo é o que tu vês. Quanto mais te conheces, mais me conheces: devias saber esse capítulo de cor! Não me subestimes, por favor, em condição alguma. E não venhas enfraquecer-me com os telecrãs e os porcos de Orwell, as castas de Huxley, as vagas de Toffler, a causticidade de Cossery, os poderes de Wallace ou com qualquer outra profecia de efeito transgénico. Estamos todos afundados na sociedade. Todos, sem excepção! Não são as páginas de autores anti-totalitaristas que te distanciarão do epicentro da dor onde nos encontramos. Não as aprofundes demasiado: sê esperto(a)! Há uns anos quase comprometeram o cómodo efeito de anestesia que me tinha sido ministrado em criança. Isto, após uma operação onde quase me amputaram o coração.

Nós, “bichos”, os animais e aqueles outros “bichos” do Casamento de Sonho da TVI e, já agora, a vítima dos “bichos”, Rosa Lobato de Faria (a poetisa).

Ver a TVI estraçalhada nos dentes deste felino faria a felicidade de quem julga ter dois dedos de testa.

Imagine-se um leão relutante aquando do momento vampírico de estraçalhar o pescoço do jovem-imbecil veado. “Ai, não: isto vai-me trazer graves complicações jurídicas e tal…”. Meus caros alienados, na selva – felizmente! -, não existem aquelas merdas que, entre nós, “bichos”, existem; ou seja, as pintelhices do caralho! Quando se vai matar, mata-se e mata-se de vez - foda-se! Os "bichos", sou seja, nós (!), é que complicamos o cenário todo! Somos uns cínicos, uns falsos e uns dementes! Ainda no outro dia, num dos meus zappings impacientes, dei por mim a deparar-me na TVI com uma poetisa (segundo as palavras de entendidos) a fazer uma figura absolutamente ridícula: a minha cara "amiga das frutas", Rosa Lobato de Faria! De imediato pensei: “Zorze, dá-lhe um desconto: os actores e actrizes do nosso Portugal têm de sujeitar-se à real merda que as nossas televisões pro…

1 + 1 = 1,4 - OU - A teoria das Obras Primas.

Dedicado a um blogger amigo...

Lembrei-me que poderia ter alguma utilidade pensar numa obra de arte e entendê-la através da sua feitura ou técnica arrebatadora - todavia, sempre defeituosa! Assim, como que a obedecer à ideia de que nada é perfeito. Miremos as nossas pontes: as que criamos para lhe conferir esse mesmo estatuto. A prová-lo, sublinhemos que uma obra pode ser prima para aquele indivíduo e, para mim, continuar a ser apenas e exclusivamente uma belíssima merda!