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Mensagens

A mostrar mensagens de Março, 2011

C.O.N.A. (Construir O Novo Alguém)

Quando era adolescente sofria do mal fornicativo em estado terminal. Tipo: "Quero foder aquela gaja até à exaustão e que a minha esporra lhe saia pelas orelhas!". Não se assustem: ouvi outros espécimes com pérolas piores. Nem eu, Dolmancé libertino, pensei que passados estes anos todos, no vigor de um corpo que conhece 8km de corrida habitual e de uma inteligência absolutamente soberba - foda-se, que já estou quase a convencer-me a mim próprio -, me estivesse tanto a cagar para conas como agora. Ah, também deixei de fumar.
"Nem eu, Dolmancé libertino..."

Nem sei que título dê a isto - Tomo 3483984938948938

O negativismo e a análise cáustica da vida não fazem parte deste dia. Hoje é bem diferente: brindemos com as melhores castas! Enquanto o Japão se afunda em radiações e o Kadafi não é morto por um sniper com um tiro no meio daqueles cornos nojentos, o amor e o romantismo triunfaram no meu humilde e simples percurso.

"Brindemos com as melhores castas!"

Paiãozamália

"Paiãozamália", o novo álbum que resulta da fusão de temas de Carlos Paião e Amália Rodrigues. Um neologismo musical perfeito: bravo! Trabalho de onde é retirado o single de promoção: "Povo que lavas em playback".

Ensaio sobre correr e a sua inevitável vertente metafórica

corro da dor de burro, mas ela alcança-me. encho os pulmões de ar e não largo o passo de corrida: desistir não é opção. tenho que me gerir e rasgo-me nos sprints em momentos de maior coragem. volta o asno a picar-me os abdominais. abrando novamente e volto a bombear a caixa. continuo. não paro. a cada passo desfaço o meu ressentimento e culpa. reinvento-me no pé apressado de correr para um final mais feliz do que quando parti. tenho o peito suado, cansado, vivo. conheço o percurso. o seu princípio e fim. volto outras vezes à pista para conhecer todos os metros que já pisei; para deixar de levar coices do animal; para correr cada vez melhor. mais rápido. mais saudável. sem atrofio. sem cãibras. com a força mais musculada e visível. corro e volto a correr da dor de burro. para longe dela. para longe da minha também.
“volta o asno a picar-me os abdominais. abrando novamente e volto a bombear a caixa”

Catacumba metropolitana

Saiu da catacumba metropolitana num desespero de vazio. As suas armações intra-derme apertavam-se-lhe em efeito torniquete, abafando-lhe os pulmões até quase não poder respirar na ânsia de levar dois ou três cigarros à boca. Nesse dia, tudo tido ficado claro para ele. As viagens sucessivas depois do horário laboral na linha do metro haviam-no tornado toupeira, rasgando o pobre bicho acossado o subsolo da vida lá fora numa qualquer carruagem em que pudesse mirar os meneios das pessoas. Mas naquele dia saiu aflito e percorreu os lances de escada com a maior rapidez possível. Quando ainda viu o sol, pensou que tinha sido salvo da escuridão e das jornadas sem destino. Olhou-se como pôde, mas o súbito balancear dos braços dos transeuntes avulsos fê-lo regressar novamente a uns bons metros abaixo do nível dos seus pés em chama, voltando-lhe a despertar a noção da maquinação e fragilidade do organismo humano...

... as manhãs são de mau acordar e assim ruma ao trabalho enfadonho num pequeno es…

O meu prédio tem 133 campainhas

... a maioria dos check-outs são tristes;
o meu matrimonial foi. muito. violento, até. houve outros;
olha, aquele na república dominicana, onde abundavam os fartos buffets;
hoje, quando o dinheiro escasseia no final do mês, cozinho feijão frade com sangacho...

... as saídas, dolorosas ou não, levam-nos a outras entradas;
quando saí do casamento, romantizei-me para recuperar o que de mim tinha caído ao chão;
sem dinheiro, mudei-me para um quarto de uma casa antiga, mas familiar;
os retratos, os naperons, as mobílias roídas pelas traças, os livros em francês e de educação sexual...

... meses depois, novo check-out. foi triste. muito. calmo, até;
procurei uma casa em vão até visitar o prédio das 133 campainhas;
a senhoria não precisou de me vender o espaço: gostei dele mal olhei as campainhas;
eu, no meu T0 e 132 delas a circundarem a minha. e já não me sinto tão triste.

"(...) quando o dinheiro escasseia no final do mês, cozinho feijão frade com sangacho..."